Castelo de Óbidos
Atribui-se ao Castelo de Óbidos origem romana, provavelmente assente num
castro. Foi posteriormente fortificação sob o domínio árabe. Depois de
conquistado pelos cristãos (1148) foi várias vezes reparado e ampliado.
No reinado de D. Manuel I, o seu alcaide manda construir um paço e
alterar algumas partes do castelo. No Paço dos Alcaides salientam-se as
janelas de belo recorte manuelino abertas para o interior do pátio. São
ainda do seu tempo a chaminé existente na sala principal e o portal
encimado pelas armas reais e da família Noronha, ladeado por duas
esferas armilares. O Paço sofreu fortes danos com o terramoto de 1755.
No século XX estava em total ruína tendo sido recuperado para instalar a
Pousada (a primeira pousada do Estado em edifício histórico).
Museu Paroquial - Igreja de São João Baptista
A sua origem remonta a 1309 quando a Rainha Santa Isabel constrói neste lugar, outrora afastado da Vila, uma gafaria ou leprosaria com uma capela dedicada a São Vicente.
Contudo, a configuração que ainda hoje apresenta resulta em grande parte das obras sofridas ao longo do século XVI, após a integração dos seus bens na Santa Casa da Misericórdia de Óbidos, então fundada: nave única e capela-mor coberta por abóbada de nervuras ogivais, ostentando no fecho central a Cruz de Cristo. A comunicação entre a igreja e a gafaria seria feita através de uma galilé, cujos arcos se detectam no interior. Em meados do mesmo século, sob o reinado de D. João III, novas obras são realizadas. De facto, sabe-se que entre 1530 e 1550 a nave é ampliada, fechando-se a galilé, e no exterior são colocados contrafortes e um novo portal de gosto clássico. É ainda instalado um retábulo da oficina de Garcia Fernandes de cerca de 1540-1550, composto por sete tábuas com cenas do Martírio de São Vicente, hoje no Museu Municipal.
Em 1636 transita para esta igreja a sede da paróquia de São João Baptista do Mocharro, até aí sediada na igreja do mesmo nome localizada fora das muralhas, facto que terá dado origem a novos trabalhos de remodelação, como a pintura da abóbada da capela-mor com motivos de brutesco policromos. O terramoto de 1755 terá afectado também o templo, correspondendo a esse período a torre sineira e o actual retábulo da capela-mor, de talha rococó com uma tela representando São João Baptista.
Porta da Vila
Entrada principal da Vila, é encimada pela inscrição - «A Virgem Nossa Senhora foi concebida sem pecado original» - mandada colocar pelo Rei D. João IV, em agradecimento pela protecção da Padroeira aquando da Restauração da Independência em 1640. No seu interior encontra-se a capela-oratório de Nossa Senhora da Piedade, Padroeira da Vila, com varandim barroco e azulejos azuis e brancos (c.1740-1750) com motivos alegóricos à Paixão de Cristo, representando a Agonia de Jesus no Horto e a Prisão de Jesus.
Porta do Vale ou Senhora da Graça
Porta de acesso à Vila pelo lado nascente, tem no seu
interior uma capela-oratório dedicada a Nossa Senhora da Graça, no
local onde já deveria existir um nicho com uma imagem que a tradição diz
ter sido oferecida em acção de graças após o cerco de 1246 (na contenda
entre D. Sancho II e D. Afonso III). Esta capela-oratório foi reformada
em 1727, por iniciativa de um magistrado da Índia, Bernardo de Palma,
em cumprimento de uma promessa de sua filha, que morreu de amores
contrariados por um jovem obidense, transformando-se então o torreão num
verdadeiro templo, com capela-mor, retábulo, coro, tribuna e sacristia,
em que a nave não é mais do que a passagem da rua pelo seu interior.
Rua Direita - Rua Principal
Conhecida com esta designação já no séc. XIV, liga a porta da Vila ao Paço dos Alcaides. Nos séculos XVI e XVII a rua Direita sofreu importantes transformações, ficando ocultados alguns dos antigos portais góticos das casas.
Igreja de São Pedro
De fundação Medieval, da sua construção inicial
conserva apenas os vestígios do antigo portal gótico na fachada. Foi
reformada na segunda metade do século XVI, como outras igrejas da Vila,
de que subsistem o portal principal classicizante, a capela baptismal à
entrada do lado do Evangelho, coberta por uma pequena cúpula reticulada
assente sobre trompas concheadas, e a escada helicoidal da torre
sineira. Muito afectada pelo terramoto de 1755, destaca-se no seu
interior, de nave única, o magnífico retábulo barroco de talha dourada
do período joanino. A antiga pintura da tribuna do retábulo - S. Pedroa
receber de Cristo as chaves do Céu - de finais do século XVII ou
princípios do XVIII (Sérgio Gorjão, 2000), encontra-se actualmente na
parede do lado da Epístola. Nesta igreja foi sepultada a pintora Josefa
de Óbidos (1630-1684) e o Padre Francisco Rafael da Silveira Malhão
(1794-1860), este com lápide evocativa na capela-mor.
Capela de São Martinho
Capela funerária familiar, situa-se defronte da Igreja de São Pedro.
Foi instituída em 1331 pelo Padre Pêro Fernandes, beneficiado da Sé de
Lisboa. Na frontaria, rematada por cachorrada, destaca-se o pórtico
ogival de três arquivoltas assentes sobre colunas de capitéis
vegetalistas e encimado por uma inscrição gótica. No interior, coberto
por abóbada nervada, encontram-se três túmulos em arcossólios ogivais,
apresentando um deles uma espada esculpida. No exterior conservam-se
ainda dois túmulos medievais, sendo o da direita armoriado com cinco
escudos representando as armas das famílias Pó, Nóbrega ou Aragão (?) e
Portugal (Quinas)
Igreja da Misericórdia
Antiga Capela do Espírito Santo, aqui foi fundada pela Rainha D.
Leonor a Santa Casa da Misericórdia de Óbidos, segundo a tradição, ainda
em 1498. A igreja sofreu várias reformas, sobretudo a partir de finais
do século XVI, quando é reedificada, sendo a mais importante, pelo menos
no seu interior, a levada a cabo na segunda década do século XVII pelo
Provedor da Misericórdia e Prior de São Pedro, Doutor João Vieira
Tinoco.
No exterior destaca-se o portal de arrojada composição, rematado por
um nicho com uma imagem da Virgem com o Menino de cerâmica vidrada e
pintada, de provável produção lisboeta dos anos de 1665 a 1680 (José
Meco, 1998). As portas de madeira estão datadas de 1623.
O interior, de uma só nave, está integralmente revestido de azulejos
azuis e amarelos de tipo padrão (c.1625-30). Assinale-se o importante
conjunto de talha maneirista formado pelo cadeiral/tribuna dos mesários e
pelos retábulos. O retábulo da capela-mor, obra do entalhador Manuel
das Neves sob risco de João da Costa, ostenta duas grandes pinturas de
André Reinoso - a Visitação da Virgem a Santa Isabel e o Pentecostes, de
cerca de 1628-1630. Os colaterais, também do entalhador Manuel das
Neves, de 1626, dourados por Belchior de Matos que havia pintado o
painel da Invenção da Santa Cruz para o do Evangelho, hoje no Museu
Municipal, abrigam hoje as imagens do Senhor dos Passos e de Nossa
Senhora das Dores, ambas de “roca”, encimados por pinturas também de
André Reinoso - Cristo a caminho do Calvário e o Descimento da Cruz.
Em meados do século XVIII a igreja terá sido reformada uma vez mais,
como atesta a data de 1744 na fachada, de que datarão o escudo real que
encima o portal da igreja, um outro que encima o arco triunfal, a
pintura sobre o mesmo arco, os dois armários laterais da capela-mor e o
tecto da nave, com as armas reais no centro. Destaque ainda para o
púlpito de pedra lavrada, com a data de 1596, decorado por cartelas e
volutas que ostenta na base uma curiosa urna para recolha de ofertas, e
para a laje tumular armoriada setecentista da Condessa de Cavaleiros, D.
Luísa Guerra. Da sua imaginária salienta-se o magnífico Cristo
Crucificado de provável origem espanhola (século XVII) e as imagens da
Virgem com o Menino, Santo António e São José, todas na capela mor.
Exposta na igreja pode admirar-se ainda a antiga bandeira da Santa
Casa da Misericórdia, pintada por Diogo Teixeira em 1592, que parece
representar na figura do rei as feições de D. António, Prior do Crato
(Sérgio Gorjão, 2000).
Anexo a esta igreja fica o antigo Hospital da Misericórdia, com Sala
de Sessões de rica decoração barroca.
Igreja de Santa Maria
Igreja matriz, localizada na praça do mesmo nome, é o principal
templo de Óbidos. Embora a tradição faça remontar a sua fundação ao
período visigótico, transformada em mesquita no período muçulmano e
novamente sagrada por D. Afonso Henriques logo após a conquista da Vila
em 1148, o facto de se encontrar fora da primitiva cerca muralhada
parece contrariar esta hipótese. Não se conhecendo a data exacta da
fundação, é um facto que o priorado da nova igreja foi entregue a S.
Teotónio, companheiro de D. Afonso Henriques, grande figura da Igreja e
prior do poderoso Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, que teve o padroado
da Igreja de Santa Maria até D. João III o ter doado a sua mulher, a
Rainha D. Catarina de Áustria. Foi também sede de uma colegiada
(comunidade formada por prior e oito beneficiados), suprimida pela
legislação liberal em meados do século XIX.
O templo medieval foi profundamente reformado pela Rainha D. Leonor
em finais do século XV, arrastando-se as obras pelo primeiro quartel do
século XVI. Data desta campanha a torre sineira, adossada à fachada e
coberta por coruchéu piramidal de oitavado.
Atingida certamente pelo terramoto de 1535, cerca de 1570 ameaçava
ruína, pelo que é imediatamente pensada a sua completa reconstrução.
Assim, no dia 15 de Agosto de 1571, dia da Assunção de Nossa Senhora,
foi lançada a primeira pedra da nova igreja, com procissão e grande
aparato religioso, prosseguindo as obras sob a protecção da Rainha D.
Catarina e do Prior D. Rodrigo Sanches, clérigo espanhol, esmoler-mor da
Rainha e figura de grande prestígio na corte de Carlos V. Desta
campanha resulta a sua configuração actual, com provável risco do
arquitecto régio António Rodrigues (Pedro Flor, 2002). Cerca de um
século depois, sofre novas obras de beneficiação, por iniciativa do
Prior Doutor Francisco de Azevedo Caminha, que redecora a igreja através
de um programa artístico de gosto barroco - tecto, azulejos e telas das
naves.
Pelourinho e Telheiro
Telheiro - Situado na Praça de Santa Maria,
junto ao pelourinho, serviu de mercado da Vila até ao início do século
XX.
Pelourinho - Coluna de pedra, símbolo do poder
Municipal, apresenta as armas reais e o camaroeiro símbolo da Rainha D.
Leonor. Encontra-se por cima do chafariz da Praça de Santa Maria, mas
deverá ter estado frente à Casa da Câmara (antigamente junto à Igreja de
Santa Maria).
Igreja de São Tiago
Mandada construir por D. Sancho I, em 1186, possuía originalmente
três naves com a entrada principal virada a poente, comunicando assim
directamente com o interior do castelo. Era a igreja de uso da Família
Real aquando das suas estadas em Óbidos, sendo enriquecida ao longo dos
séculos com numerosas obras de arte, de que se destacava a Galeria da
Rainha, obra de talha gótica. A igreja foi totalmente destruída pelo
terramoto de 1755 e reconstruída em 1772, com a fachada alinhada com a
Rua Direita e cabeceira voltada a norte. Tinha no retábulo do altar-mor
uma pintura representando São Tiago Maior, tábua maneirista de autor
desconhecido da segunda metade do séc. XVI – Luís de Morales? (Sérgio
Gorjão, 2000) - que terá feito parte do primitivo retábulo, hoje no
Museu Municipal.
Ermida de Nossa Senhora do Carmo
Situada fora de portas, na encosta do lado poente, a sua origem
perde-se no tempo. A tradição afirma ter sido um templo romano dedicado a
Júpiter, havendo a memória de terem existido nesta igreja várias
lápides com inscrições romanas. Foi sede da paróquia de São João
Baptista (do Mocharro) até 1636, altura em que se transferiu para a
antiga capela de São Vicente dos Gafos na entrada sul da Vila, ficando a
partir dessa data com a invocação de Nossa Senhora do Carmo. Foi também
muito afectada pelo terramoto de 1755, resultando a sua feição actual
das obras de reintegração que sofreu em meados do século XX, por acção
da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais. A antiga imagem
do orago, São João Baptista, é uma notável escultura de meados do século
XV de provável origem coimbrã, encontrando-se hoje no Museu Municipal.
No exterior, junto à cabeceira, ergue-se o campanário medieval.
Ermida de Nossa Senhora de Monserrate (Ordem Terceira)
Situada no Arrabalde, é um pequeno templo com um
portal barroco, encimado pelas armas franciscanas. O interior, de uma só
nave e capela-mor coberta por cúpula, destaca-se pelo seu revestimento
azulejar da primeira metade do século XVII. Nas paredes laterais
apresenta, na parte inferior, azulejos azuis e brancos enxaquetados e,
na parte superior, uma composição com azulejos azuis e amarelos.
Os azulejos que envolvem o arco triunfal e os que revestem a capela-mor
são de padrão policromo. O retábulo, pintado por Belchior de Matos (c.
1600) representa São João em Patmos e outros santos ligados à ordem
franciscana.
Aqueduto
Mandado construir pela Rainha D. Catarina de Áustria,
mulher de D. João III, tem 3 km de comprimento. A Rainha custeou
integralmente a sua construção, recebendo em troca a várzea, que passou a
ser conhecida como Várzea da Rainha.
Santuário do Senhor Jesus da Pedra
Fora da Vila, na estrada para as Caldas da Rainha, ergue-se o
Santuário do Senhor da Pedra, templo inaugurado em 1747. O risco da obra
é de autoria do Arq. Capitão Rodrigo Franco (da Mitra Patriarcal) e tem
a particularidade de articular um volume cilíndrico (exterior) com um
polígono hexagonal (interior), em planta centrada à qual se anexam três
corpos (dois correspondentes às torres e outro que corresponde à
sacristia). No seu programa de simetrias destaca-se o jogo de janelas
invertidas. O seu interior apresenta três capelas: a capela-mor dedicada
ao Calvário, com uma tela de André Gonçalves, e as capelas laterais
dedicadas a Nossa Senhora da Conceição e à Morte de São José, com telas
de José da Costa Negreiros. A "estranha" imagem de pedra de Cristo
Crucificado, em maquineta própria no Altar-Mor, esteve até à inauguração
do Santuário recolhida numa pequena ermida junto à estrada para Caldas
da Rainha onde era objecto de grande devoção, nomeadamente do Rei D.
João V.